Antes dos dinossauros, antes da primeira ameba que se aventurou a habitar o caldo primitivo onde a vida surgiu, antes dos continentes, quase antes do próprio tempo, quando a Terra tremia como um embrião na escuridão, a crosta terrestre começou a esfriar e a tomar forma. Naquela época, na era Arcaica, foram sendo depositadas as rochas graníticas e os minerais que seriam a matéria do solo que pisamos e os elementos que, mais tarde, possibilitariam nosso desenvolvimento, da Idade da Pedra à Idade do Cobre e do Ferro. Na região de Pilbara, na Austrália, os geólogos encontraram vestígios dessa crosta terrestre primitiva que datam de 3,6 bilhões de anos. Lá é onde se extrai o minério de ferro com o que foram fabricados os materiais que sustentam a nova usina solar Aldoga, que a ACCIONA Energía está construindo na Austrália.
Hoje, na costa leste de Queensland, milhares de painéis solares estão instalados sobre tubos de aço fabricados com esse mineral proveniente do outro lado do país. Onde antes se importava aço, hoje se desenvolve uma indústria siderúrgica que gera empregos e riqueza, bem como independência industrial em tempos de incerteza global. Além disso, a usina Aldoga contribuirá para o desenvolvimento de uma indústria mais sustentável, como contamos no final da reportagem. Continue lendo para saber todo o impacto positivo que a energia solar pode ter na economia, na população e na indústria local de um país.
A origem do minério de ferro que possibilitou a construção da usina Aldoga, em Queensland, remonta aos áridos planaltos ocidentais de Pilbara. Nesse lugar, onde afloram algumas das rochas e fósseis mais antigos do planeta, há centros de mineração como Tom Price ou Newman, que hoje coexistem com áreas protegidas como o Parque Nacional Karijini. Posteriormente, o mineral é transportado para Nova Gales do Sul, no extremo leste do país, onde é processado nas instalações de uma siderúrgica local.
O ferro ainda não completou sua viagem: agora é a vez da Orrcon Steel, outra empresa australiana com sede em Brisbane, fabricar os tubos e vigas de aço que sustentam a construção da usina solar Aldoga, a vinte quilômetros a noroeste da cidade de Glads. Essas peças devem ser cortadas com alta precisão para permitir a montagem dos painéis fotovoltaicos, tarefa da qual se encarrega a empresa australiana Baojia, para que fiquem orientadas da melhor forma possível para catar a energia solar. Por falar em orientação, os componentes necessários para acompanhar o curso do sol também são produzidos no país.
Quando concluída, graças à sua potência de 380 MW, a usina solar Aldoga permitirá gerar energia renovável suficiente para abastecer 185 mil residências. Além disso, a instalação também deve evitar a emissão de quase um milhão de toneladas de CO₂ por ano durante sua vida útil. Dessa forma, contribuirá para o avanço dos objetivos de descarbonização do país, ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento da economia e da indústria da região.
Dois dos principais objetivos da ACCIONA Energía com essa instalação eram, por um lado, gerar um efeito de promoção das indústrias locais e, por outro, criar empregos na região. No processo de construção da usina solar Aldoga, participaram, em média, trezentos e cinquenta trabalhadores, e foram utilizados materiais e componentes fabricados e desenvolvidos na Austrália para tornar realidade um projeto que dará nova vida à região durante décadas. Esse é o objetivo do PPA, ou contrato de compra de energia, que garante o fornecimento estável de energia renovável durante os próximos quinze anos.
No processo de construção da usina solar Aldoga, participaram cerca de 350 trabalhadores."
Se nossa viagem começou no manto terrestre primitivo de Pilbara, termina nas áreas residenciais e industriais de Queensland. Lá, a energia renovável não apenas abastece casas e indústrias, mas também incentiva o desenvolvimento das comunidades vizinhas e seus projetos. Através de subsídios, investimentos, programas de pesquisa e bolsas de estudo, a ACCIONA Energía destina recursos para melhorar o bem-estar e as oportunidades das pessoas que vivem na região, muito mais que criar empregos.
Até agora, a usina solar de Aldoga contribui para a otimização de infraestruturas, como a rodovia de Flynn, e financia projetos nas áreas de educação, saúde e desenvolvimento cultural na região. Por exemplo, em sua edição de 2024, o Small Grants Program apoiou 12 beneficiários, o que nos permitiu promover iniciativas de grande impacto, como o Sisterlife Circle da Integreat Queensland, um programa que oferece um espaço seguro e de apoio para que as mulheres possam se reunir, curar, crescer e celebrar em conjunto. Desde 2002, a empresa já investiu mais de 4,1 milhões de dólares em comunidades locais da Austrália.
Da crosta terrestre primitiva de Pilbara hasta ao coração renovável de Queensland, a Aldoga fusiona bilhões de anos de história geológica à energia do futuro, gerando luz, empregos e autonomia industrial que promoveram a prosperidade de toda uma região."
Não podemos conceber um desenvolvimento sustentável sem o protagonismo absoluto da energia renovável. Essa é a única forma de cumprir os objetivos de descarbonização e conter as mudanças climáticas, um verdadeiro desafio existencial para a espécie humana.
No entanto, como vimos nesta história, seu papel também será crucial para promover a autossuficiência energética e produtiva dos países, além de revitalizar regiões afetadas pelo êxodo rural e pelo envelhecimento da população. Ou seja, produzir melhor e de forma mais sustentável. Hoje, aquela Idade do Ferro que incentivou os primeiros passos da história da humanidade, conecta com um novo tempo que poderíamos batizar de Idade das Renováveis.